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História do ECTV

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Espeleo Clube de Torres Vedras


  Criado há 43 anos como resposta às necessidades de um grupo de jovens torrienses, que gostavam da natureza e de aventura, o Espeleo Clube de Torres Vedras transformou-se numa das associações mais respeitadas da região oeste movimentando um número considerável de jovens em acções ligadas, não só à espeleologia, mas também à educação ambiental e defesa do património natural e construído.

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  Hoje, para além da sua componente espeleológica, o ECTV procura ser o eco e dar resposta aos anseios dos seus mais de duzentos associados e milhares de jovens, que ao longo dos anos tem participado nas diferentes atividades de carácter científico e cultural desenvolvidas.

  O ECTV define-se hoje como uma “Associação juvenil de carácter Científico e Cultural que tem por objectivos o Estudo, Defesa, Divulgação e Protecção do Património Espeleológico (regiões calcárias, grutas e algares) em particular e do património Natural e Construído em geral.

  Tem também como objectivos a promoção da Formação, Informação e Animação Juvenil, bem como o Intercâmbio Cultural e Científico, utilizando para isso os mais diversos instrumentos e técnicas.

  Foi fundado em 21 de Agosto de 1971 por um grupo de jovens (com idades compreendidas entre os 15 e os 21 anos) que, cansados da monotonia, decidiram congregar esforços no sentido de levar a cabo a realização de acampamentos ou simples excursões pedestres, a fim de contactar mais intensamente com a natureza exterior à cidade. Desta união de esforços nasceu um Clube denominado “Os Trakas”, cujos objectivos, já se traduziam na realização de atividades que permitissem um maior contacto com a natureza, o seu estudo e preservação. Logo nas primeiras saídas para o campo aquele grupo de jovens sentiu curiosidade de conhecer uns “buracos” que existiam nos arredores de Torres Vedras, que motivaram umas explorações à zona dos Cucos, traçando assim o caminho a seguir: o estudo das cavernas.

 

Anos 70

O triunfo da carolice

 

  Nestes primeiros tempos as aprendizagens foram extremamente difíceis, já que não havia conhecimento da existência de qualquer associação de espeleologia nem, tão pouco, de qualquer literatura (escrita em português) versando o tema, pelo que fomos obrigados a comprar alguns livros em espanhol traduzindo-os de seguida para português.

  Mas eis que em Março de 1973 travámos conhecimento com um jornalista praticante de espeleologia (Alexandre Morgado) que muito nos ajudou no contacto com outros espeleólogos e na obtenção de textos em português (igualmente traduções). É também nessa altura que decidimos mudar o nome do grupo para o actual Espeleo Clube de Torres Vedras e pensamos em oficializar a nossa associação, o que só será plenamente conseguido em 1977 mediante a obtenção de um subsídio do FAOJ exclusivamente concedido para o efeito.

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  No ano de 1973 participámos no 1º Colóquio Nacional de Espeleologia (organizado pelo Grupo de Estudos Espeleológicos do Centro Universitário de Lisboa) apresentando uma comunicação sobre um novo processo de fabrico de escadas metálicas e fizemos parte integrante da Comissão Nacional de Espeleologia dele resultante, com o estatuto de observador.

  Desde então temos desenvolvido toda uma actividade de estudo das cavernas, apesar do escasso tempo disponível já que, durante bastantes anos, a maioria dos associados eram jovens trabalhadores-estudantes, mas sempre com o objectivo do maior rigor técnico e científico, pois sendo nós uma associação de província de magros recursos materiais e humanos, não podíamos contar nas nossas fileiras com elementos licenciados que ficavam pela capital e pouco se interessavam pelos afazeres espeleológicos.

  

Mas não foi a falta de “doutores e engenheiros” que impediu de continuarmos a participar nas mais variadas realizações espeleológicas que ao longo de todos estes anos têm acontecido. Foi assim que participámos activamente, através da apresentação de comunicações, no 1º Encontro Nacional de Espeleologia da Península de Setúbal em 1976 e nos I e II Encontros Nacionais de Espeleologia em Sintra (organizados pela Associação dos Espeleólogos de Sintra, nos anos de 1981 e 1983), bem como fizemos parte de duas Comissões Nacionais de Espeleologia saídas do Encontro de Setúbal e do II Encontro de Sintra; mas, se a Comissão nascida no Encontro de Setúbal teve vida curta já o mesmo não aconteceu com a saída do Encontro de Sintra, pois que, mercê de frutuoso trabalho dos representantes das Associações de Espeleologia ao longo de várias reuniões em Sintra, Torres Vedras, Aveiro e Lisboa se conseguiu alcançar o objectivo que desde 1973 (pelo menos) é perseguido e no mês de Novembro de 1985 teve concretização, com a satisfação dos últimos requisitos legais necessários à oficialização da Federação Portuguesa de Espeleologia.

  Quanto às actividades espeleológicas propriamente ditas, desde o princípio que assumimos a nossa situação de “pequeno grupo de província”, com bastantes limitações materiais e humanas e de tempo disponível, pelo que definimos objectivos e programámos a nossa actividade em conformidade, começando pelo estudo de pequenos afloramentos calcários situados no nosso concelho ou nos concelhos limítrofes. Os afloramentos dos Cucos e do Vimeiro, a par de pequenas plataformas calcárias, foram os nossos primeiros alvos com trabalhos de prospecção, topografia, fotografia, espeleogénese, desobstrução e prospecção arqueológica, entre outros, dos quais uma pequena amostra foi apresentada nos Encontros de Setúbal e Sintra.

 

Anos 80

A década da grande mudança

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  Com o passar do tempo sentimos a necessidade de expandir a nossa actividade para mais além e foi assim que organizamos actividades no Planalto de Cesaredas (Vale da Columbeira, Reguengo Grande, Serra d’El Rei e Bolhos) e na Península de Peniche. Mas ainda assim não satisfeitos, lançamo-nos decididamente no estudo espeleológico da Serra de Montejunto que ainda está em curso e onde ainda há muito que fazer apesar de já possuirmos um volumoso arquivo de dados.

Quanto ao Maciço Calcário Estremenho, a zona cársica por excelência (no nosso país), também tem merecido a nossa atenção, tendo desenvolvido actividades próprias e colaborado em outras, das quais se destaca a descoberta em 1982 das galerias fósseis da Gruta do Almonda e da colaboração com o Núcleo de Espeleologia da Universidade de Aveiro na operação denominada “Sifão Seco”, que muito contribuiu para a descoberta da continuação da rede de galerias, aumentando significativamente o desenvolvimento total da maior gruta portuguesa. Colaboramos ainda nos trabalhos de filmagem da série da RTP “O Mar e a Terra”.

  É de todos conhecida e geralmente aceite que qualquer actividade só terá hipóteses de se desenvolver se houver uma divulgação adequada e explícita dos seus anseios, problemas e objectivos. Deste modo, porque queremos que a actividade espeleológica seja conhecida e reconhecida como actividade socialmente útil e adequada ao desenvolvimento das capacidades da juventude temos, desde há longos anos, dedicado particular atenção a esta acção, consubstanciada na mais ou menos regular publicação de artigos na imprensa local (Oeste Democrático e Badaladas) versando o tema da Espeleologia bem como, sobretudo nos últimos anos, levarmos frequentemente jovens a participar nas nossas actividades independentemente de, posteriormente, se tornarem ou não associados do nosso clube, daqui resultando um alargar do número de sócios mais jovens que, pela sua saudável irrequietude, permitiram ao Espeleo Clube de Torres Vedras trilhar novos caminhos de investigação espeleológica ou transmitiram outra dinâmica aos já existentes.

     Também integrado neste esqente vocacionada para a animação e formação juvenil. Este vector de intervenção traduziu-se numa clara aposta nos jovens em idade escolar, o que permitiu o rejuvenescimento da associação e o incremento de actividades de natureza educativa. Nesse sentido, foram lançados cursos de iniciação à espeleologia e acções de divulgação envolvendo largas centenas de jovens das escolas do concelho em actividades de campo.

  As actividades de formação, interna e aberta à população revelaram-se como factores decisivos na abertura do ECTV ao meio e no aumento significativo de associados e participantes nas diversas actividades.

  A necessidade de responder às necessidades crescentes dos jovens, que procuravam no Espeleo o preenchimento de um vazio, que o meio não lhes oferecia, fez com que, não só a espeleologia atingisse o seu pico, quer no número, quer na qualidade das explorações e estudos efectuados, mas também com que a associação se desenvolvesse em diversos departamentos de carácter técnico e científico, versando actividades diversas da fotografia à cartografia, passando pela topografia, arqueologia, biologia e geologia.

  Paralelamente foram desenvolvidas as primeiras actividades com objectivos prioritários de educação ambiental e de protecção do património, das quais se destacam os Campos Internacionais de Trabalho em Montejunto, que projectam definitivamente o ECTV no panorama nacional, como uma associação capaz de mobilizar jovens e organizar grandes eventos.

Inicia-se assim nestes campos internacionais a recuperação da Fábrica da Neve de Montejunto, com o apoio da Câmara Municipal do Cadaval, monumento ímpar do período de desenvolvimento da indústria portuguesa no século XVII promovido pelo Marques de Pombal.

  Entidades como o IPAAR, IPJ, IPAMB e Autarquias, entre outras, começam a olhar-nos, não apenas como associação espeleológica, mas já como parceiro a ter em conta nas questões de juventude, ambiente e património.

  130.jpgEsta tendência acentua-se e já no final da década de oitenta a Educação e a Cultura passam a ser as apostas fundamentais e os esteios de todas as nossas intervenções. No que diz respeito à aprendizagem e prática dos valores da solidariedade, da cidadania e da democracia, permitidos pelo exercício do associativismo, na formação e educação de todos quantos participaram ou foram envolvidos pelas acções que anualmente desenvolvemos (com reconhecido impacte, por exemplo, na alteração de mentalidades e posturas relativamente à salvaguarda das principais áreas naturais da região).

  Neste particular, a espeleologia tornou-se um valioso instrumento ao serviço da Educação Ambiental – pelo seu apego e carga de mistério e aventura – permitindo “agarrar” os jovens para temas e problemas actuais, muitos dos quais também nos batem à porta. Tudo isto a par das necessárias acções de Estudo e Conservação do Património Cársico (Grutas, Algares e Regiões Calcárias), Ambiental e Construído.

 

Anos 90

A década da maioridade

 

  

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Aprofundando os novos caminhos trilhados na década de oitenta, o ECTV entra nos anos 90 para atingir a plenitude da sua maioridade, transformando-se numa das poucas alternativas para os jovens torrienses, como um valioso complemento da sua formação e lazer.

  Indo de encontro a essa necessidade, surgem actividades de animação juvenil, que vão desde as artes plásticas, como o projecto “Fixarte”, ao teatro, com a dinamização de um grupo de marionetas, passando pela organização de exposições e outras actividades de índole eminentemente cultural.

  A organização de grandes eventos como o II Congresso Nacional de Espeleologia realizado em Torres Vedras, acções de educação ambiental em escolas de toda a região, campos de trabalho e a internacionalização das nossas actividades através de projectos de intercâmbio com congéneres de S. Tomé e Príncipe e a República de Cabo Verde, Angola, e o Projecto Internacional de Exploração Espeleológica em Moçambique com associações de espeleologia de Itália e da Alemanha, parceria que decorreu da nossa participação no Congresso Mundial de Espeleologia em Budapeste, Hungria em 1989, Exploração de Tubos Lávicos e Furnas nos Açores, granjearam-nos igualmente um estatuto de intervenção na comunidade raramente conseguido por uma associação que ainda há dez anos se considerava um “pequeno grupo de província”.

  O facto da Câmara Municipal de Torres Vedras se ter empenhado na resolução do problema da nossa sede social tendo sido encontrada uma resolução condigna e do Instituto da Juventude ter confiado ao ECTV a criação e dinamização de um Centro de Apoio à Juventude em Torres Vedras, são prova disso.

  No CAJ, os jovens encontraram um ponto de contacto com um sem número de actividades e têm ao dispor uma Biblioteca e Mediateca com centenas de títulos ligados às áreas da juventude, ambiente, património e espeleologia.

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  Outros marcos na nossa acção são a coordenação regional do projecto “Coastwatch” e a dinamização da acção “Costa Viva”, que coloca no terreno centenas de jovens em actividades de vigilância e limpeza do ambiente.

  De destacar foram também os Safaris Fotográficos na Serra de Montejunto que levou à serra mais de 1500 alunos, das escolas secundárias e

preparatórias dos concelhos de Torres Vedras, Cadaval e Alenquer, fazendo apelo à aventura e ao contacto com a natureza. Também nesta década organizamos dois Campos de Trabalho de âmbito nacional (férias juvenis).

 Organizamos ainda a acção ao Encontro de Portugal no distrito de Lisboa, com jovens de todo o país, PALOP,s e Brasil, cujo programa de actividades se desenvolveu na Serra de Montejunto.   

 Participamos na 1ª Campanha de escavações da Lapa da Rainha II – Maceira.

 Organizamos uma actividade designada “Á descoberta das Grutas do Concelho” que movimentou mais de 6 mil alunos das escolas secundárias de Torres Vedras.

  Alicerçado num trajecto de mais de quatro décadas de existência, o Espeleo Clube de Torres Vedras aproveitou e potenciou o seu património de saber para se lançar em outros voos e descobrir novos caminhos para alimentar a sua necessidade de mudança e transformação. A relação e diálogo com a comunidade, aspecto até há alguns anos colocado em segundo plano no rol das nossas preocupações e planos de actividade, assumiu um peso fundamental e impeliu-nos para uma nova prática e postura de relação e convivência social, como um todo. Não bastava descer às grutas e estudar a inestimável riqueza de conhecimentos que o seu património encerra.

  

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   Na década de noventa foi também urgente e necessário continuar a olhar com determinação para o “exterior” e sair decididamente da “caverna” de isolamento para assumirmos claramente a nossa vontade de aplicar no exterior aquilo que a espeleologia nos continua a ensinar de forma única: a amizade, a solidariedade e o amor pelo estudo do nosso património ambiental e construído.

  É neste contexto que o ECTV toma um papel activo na intervenção, planeamento e busca de soluções para os problemas contra os quais a juventude se tem vindo a bater. Com conhecimentos científicos e um saber feito de experiência, acompanhamos a feitura dos principais instrumentos de planeamento regional do Oeste, PDM,s, Planos Estratégicos e outros, emitindo pareceres, organizando debates e fazendo eco junto das entidades oficiais, dos anseios de uma vasta parcela da população.

 

 Deste modo se define parte de um grato trajecto que pretende continuar a “aventura” associativa, na forma de um projecto pedagógico, para jovens e adultos, com a preocupação acrescida de servir a cultura, a ciência, o estudo e a defesa do património ambiental e construído, o lazer, a fantasia e a educação, no pressuposto que tais propósitos constituem das mais nobres e fundamentais tarefas para a construção de um diferente e melhor futuro.

 

                                                        

Século XXI

O desafio do futuro

 

  

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Apesar da primeira década do presente século não ter sido de grandes dinâmicas, pronunciando-se mesmo alguma estagnação da vida associativa e das actividades de espeleologia desenvolvidas, não inviabilizou novos rumos que se projectaram e que nos últimos anos têm tido um importante impulso. Destaque para a intensificação dos trabalhos espeleológicos na Serra de Montejunto com o objectivo de compilar toda a informação sobre as suas grutas e algares e de outros trabalhos realizados na Serra com o fim de verter esse valor acumulado ao longo de tantos anos numa futura publicação.

Realiza-se desde 2011 a atividade “Semana do Aniversário” que decorre em Montejunto no parque de campismo rural durante nove dias pela ocasião do dia de aniversário do Clube, 21 de Agosto. Durante esse período desenvolvem-se actividades de espeleologia onde se destaca a desobstrução do Algar da Nossa Senhora das Neves, projecto de continuidade no qual se aposta em várias intervenções ao longo do ano dado o seu potencial espeleológico.

Foi também durante a semana de aniversário que se descobriu em 2014 uma nova gruta em Montejunto e se fez reconhecimentos de algares que não se visitavam há muito. É uma semana de salutar convívio e de exploração espeleológica diária.

A continuidade das acções de educação ambiental como o Costa Viva e a sensibilização para a protecção e valorização dos maciços calcários permanecem como outro dos pilares principais da associação.

A publicação do inventário das grutas e algares de Montejunto é um dos objetivos atuais do Clube. Para além da importância de dar a conhecer o património espeleológico da Serra, agregará num livro os trabalhos realizados pelo clube ao longo de quatro décadas.